sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Continuando...

Para que seja possível engendrar uma pedagogia ecológica e, consequentemente, uma Eco-Escola, vimos que é necessário pensar na organização espacial de acordo com as premissas deste projeto educacional. Sendo assim, estamos discutindo a arquitetura de uma escola ecológica e para isso se faz necessário pensar nos espaços.
Uma escola convencional possui uma arquitetura mais ou menos assim (croqui bem sem vergonha esse meu!):



Analisando o croqui ao lado podemos, com esforço, observar as repartições, o quadriculado, à utilidade de cada espaço. Segundo Foucault, a era clássica acelera a arte das distribuições dos indivíduos no espaço, ou dizendo de um outro modo, a disciplina. “A primeira das grandes operações da disciplina é então a constituição de ‘quadros vivos’ que transformam as multidões confusas, inúteis ou perigosas em multiplicidades organizadas.” (pg.135- Vigiar e Punir/1995/Vozes).

Portanto, os espaços livres e libertos do quadriculado não teve vez na arquitetura das escolas até então porque o intuito, desde o século XVIII, era a disciplina, “organizando as ‘celas’, os ‘lugares’, e as ‘fileiras’ criam espaços complexos: ao mesmo tempo arquiteturais funcionais e hierárquicos”. (idem)

Se até aqui falamos de conceitos tais como rede, não linearidade, multiplicidade, hipertexto, complexidade, sistema, estamos dizendo também que o quadriculado não tem vez no nosso projeto de construção. Não dá para projetar uma Eco-Escola como um quadro, assim como este retratado acima pelo meu pobre croqui. Como também não é possível projetar uma sala de aula cujos móveis se distribuem em fileiras horizontais e verticais.

Não dá porque o quadriculamento é : “ cada indivíduo no seu lugar; e em cada lugar, um indivíduo. Evitar as distribuições por grupos; decompor as implantações coletivas; analisar as pluralidades confusas, maciças ou fugidias...” “... Importa estabelecer as presenças e as ausências, saber onde e como encontrar os indivíduos, instaurar as comunicações úteis, interromper as outras, poder a cada instante vigiar o comportamento de cada um, apreciá-lo, sancioná-lo, medir as qualidades ou os méritos.” .... “ A disciplina organiza um espaço analítico.” (pg.131)

Mas aqui não é disso que se trata: uma rede, um hipertexto em que ponto começa e em qual termina? Estou indo por aqui ,salto para lá e para acolá, indo e vindo, vendo o todo no um. Liberdade para fazer conexões, inúmeras, múltiplas. Esta visão de mundo não concorda com uma arquitetura do controle e da disciplina manifestadas pela linearidade e pelo quadriculado.

Pois bem, sabemos o que não queremos, mas o que queremos, sabemos? Difícil é a ruptura com o conhecido, com a convenção, com o senso comum. Não dá nenhum trabalho aceitar pacificamente o que já está aí. E daí? A pergunta insiste: como projetar um edifício que manifeste a concepção ecológica que pretendemos aqui?

domingo, 12 de outubro de 2008

Projeto de Construção de uma Eco-Escola

Andando por aí, porém com foco, encontrei um trabalho bem bacana de um pessoal de uma ONG de nome Núcleo de Amigos da Terra Brasil , de Porto Alegre, cujo tema é Centro de Referência para Edificações Sustentáveis em Meio Urbano

Achei muito interessante a metodologia aplicada para desenvolver um projeto de edificação sustentável e acredito que este projeto poderia se constituir enquanto sugestão para orientar um projeto de construção para uma Eco-Escola.

Como sou da área de educação, pouco sei de arquitetura, mas conhecer as etapas de um projeto de construção que pretende ser ecologicamente correto, economicamente viável e socialmente responsável é importante para atingir os objetivos aqui propostos.

Pois bem, o pessoal do Núcleo de Amigos da Terra Brasil contratou uma equipe que iniciou o projeto do Centro de Referência a partir de 4 etapas : levantamento de dados, estudo preliminar, anteprojeto e projeto executivo.

Iniciemos com a primeira etapa, o levantamento de dados: trata-se de conhecer os usuários e o contexto da Eco-Escola por intermédio de entrevistas e reuniões visando definir um programa de necessidades.

Entendo que para uma Eco-Escola seria muito promissor desenvolver esta primeira etapa envolvendo o corpo docente, a equipe técnica pedagógica, todos os demais profissionais que se fazem presentes em uma unidade escolar, além da comunidade do entorno da obra.

Se a Eco-Escola fosse uma iniciativa privada, seria preciso primeiro contratar o corpo docente e a equipe técnica, ou selecionar profissionais que estivesse de acordo com o projeto para participarem dele bem do início, ou seja, do primeiro tijolo. O mesmo procedimento poderia ocorrer se a iniciativa partisse da rede pública de ensino por intermédio da vontade manifesta dos professores, diretores escolares, dentre outros profissionais.

Seria bacana, não? Quando é que nós da educação somos chamados para discutir um projeto de construção do edifício-escola? Sim, não me esqueci de toda uma legislação que prescreve quantos metros deve ter uma sala de aula (salvo engano é um metro quadrado por aluno), orientações inclusive de metragem para quadra desportiva, laboratório de ciências, biblioteca e etc...Tudo bem. Mas quem tem que saber disso? Quem sabe isso? Em geral o Diretor Escolar orienta a obra conforme a legislação e os supervisores de ensino, alocados em suas Diretorias, aprovam ou não a solicitação de abertura de uma escola. Os professores e outros profissionais ao chegar para trabalhar já encontram a escola pronta, prontinha para funcionar e cabe a todos aceitar a convenção.

Refiro-me aqui a outra situação: quando é que paramos para pensar sobre a relação entre o projeto político/pedagógico e a arquitetura escolar? Elaboramos, supostamente, de forma coletiva o projeto político/pedagógico da escola, mas não pensamos se seus princípios estão ajustados com aqueles que orientaram o projeto arquitetônico.

Quem nos alerta para esta questão é Michel Foucault no seu livro
Vigiar e Punir especificamente no capítulo Corpos Dóceis.
Conta-nos Foucault que os presídios, os hospícios e as escolas possuem a mesma estrutura arquitetônica, justificada por um projeto comum de ordenamento, controle, da arte da distribuição. As estruturas arquitetônicas dos hospícios, das escolas, das fábricas, dos presídios de até então, comungavam um único pressuposto, a disciplina, que na maioria da vezes exige a cerca, o muro, a fileira , o quadro, sempre fechado. A distribuição e divisão dos espaços possuíam um rigor, por exemplo, o quadriculamento.

Já viu uma sala de aula? O piso é quadriculado, ou seja, 1 metro quadrado para cada aluno. Cabe aí uma carteira com uma cadeira, enfileirada horizontal e verticalmente. Os mais baixos e mais estudiosos à frente, os mais altos e menos estudiosos no fundo. À frente da classe o professor com sua mesa maior e posicionada à direita ou à esquerda do quadro negro. Esse ordenamento por fileiras no século XVIII, segundo Foucault, “começa a definir a grande forma de repartição dos indivíduos na ordem escolar."

Sendo assim, é preciso que uma nova organização espacial seja pensada que combine com um projeto ecológico/político/pedagógico cujos pressupostos se apóiam nos conceitos de visão de mundo que se faz sistêmica, multifacetada, complexa e em rede.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Arquitetura Ecológica

Dizem que arquitetura ecológica também pode ser denominada como bioarquitetura ou arquitetura sustentável, ou ainda , arquitetura verde , que segundo o Wikipedia “ procura utilizar maneiras de prevenir os impactos ambientais que podem ser gerados em uma construção.”

São objetos estratégicos da arquitetura ecológica o projeto, o planejamento, a pós-ocupação, a manutenção, o novo uso e o desmonte. São procedimentos de um movimento cíclico , como a vida, que inicia no nascimento, segue todas as etapas até a morte.

Cada detalhe é pensado para que o meio ambiente seja minimamente agredido, mas , sobretudo, que agrida em menor grau os trabalhadores que levantarão a obra e os futuros usuários da construção.

O fato é que há muito a ser explorado nesta área , mas também já temos em mãos inúmeras informações, sugestões e indicadores para construirmos , daqui pra frente, de forma socialmente responsável, ecologicamente correta e economicamente viável.

Como sempre acho importante contextualizar aquilo que falo ou que leio, ou que penso... enfim... indico um trabalho muito interessante que encontrei buscando pela internet dos autores Prof.Leopoldo Bastos e Profa Claudia Barroso-Krause Sustentabilidade e Arquitetura: histórico e abordagem do estado da arte

Eles apresentam um histórico da arquitetura x materiais até culminar na Eco 92 quando surge a questão do desenvolvimento sustentável. Depois seguem para o que chamam de evolução do conceito de arquitetura sustentável passando pela Agenda 21 , Protocolo de Kioto e Montreal terminado com métodos de avaliação e certificação. Bem interessante, vale a leitura.

Outra recomendação é dar uma passadinha no site da Ignez Ferraz e ler um texto bastante informátivo a respeito de arquitetura sustentável. Dá dicas sobre materiais de construção menos agressivos e apresenta fotos de construções de moradias possibilitando-me pensar com mais clareza a respeito de um projeto para uma Eco-Escola.